Quando os mais chegados são distantes

Ontem conversando com uma amiga, ela me disse: – “Eu não entendo porque minha irmã é tão formal comigo”, me contou a maneira como se tratavam sendo irmãs e disse que não eram tão chegadas quanto gostaria.

Por que será que as vezes nossos parentes nos tratam com formalidade, sendo que deveriam ser os mais informais conosco? Por que as vezes sentimos aquela distância entre nós e um parente? As vezes até um irmão de sangue? Enquanto que temos “amigos mais chegados que um irmão”?

Eu não queria ter que acreditar que se você já é bastante familiarizado de uma pessoa, talvez ela não tenha tanto valor para você e você decida tratá-la com desprezo. Mas foi exatamente isso que aconteceu com Jesus quando ele chegou na própria cidade para fazer milagres. O povo simplesmente não deu a ele o devido valor porque já o conhecia. Sei lá se tinham crescido juntos, brincado de pega-pega. Então, aquele Jesus do “pega-pega” não pode ser um Salvador! 

É exatamente isso que acontece entre parentes. O irmão mais novo cresce e se torna um doutor. Mas para o irmão mais novo, ele não passa de um pirralho. Só que o “pirralho” cresceu e se tornou um doutor. E, talvez, o doutor comece a se distanciar do irmão mais velho para ganhar um pouco de respeito.

Na verdade, nós acabamos tenho uma tolerância cada vez menor para as qualidades negativas em relação às pessoas a medida que nos relacionamos mais com elas. Quanto mais intimidade, menor a tolerância.

Mas, como podemos melhorar isso?

1. Seja Grato pelas Qualidades

Produza sentimentos de gratidão em você. Vasculhe esse sentimento em relação ao seu parente. Se você tivesse que fazer uma lista das coisas que gosta nessa pessoa, seja seu pai, seu irmão ou seu primo, o que você colocaria nessa lista? Responsável, honesto, divertido, alegre, engraçado… Sempre há algo que gostamos nas pessoas. Todo mundo tem algo bom, você só precisa enxergar isso e ser grato pela vida dela.

2. Aproveite a Presença dos Outros

Quando estiver ao lado dessa pessoa na presença de outros, não fique pensando nas coisas ruins que ela te causou e nem no comportamento dela com relação a você. Pense no seu comportamento em relação a ela. Como você pode ser gentil com ela, mesmo ela não sendo com você? Como pode fazê-la rir, mesmo que ela não faça isso com você? Assim, você poderá observar que quando estiverem na presença de outras pessoas, a dinâmica entre vocês pode mudar para melhor. 

3. Escolha ser Tolerante

Não é porque é um parente que você deve ser menos tolerante do que se fosse um estranho. Há todos os tipos de pessoas em todos os lugares, inclusive na família. 

Vou dar um testemunho pra você:

Eu tinha um parente que chegando na adolescência e descobrindo quem ele era, eu não queria mais me relacionar com ele. (Não vou contar muitos detalhes para não expô-lo.) Ele era todo brincalhão, contava piadas, fazia todo mundo rir nos encontros de família. Mas, como eu conhecia os bastidores, eu simplesmente não achava graça em nada do que ele fazia até que um dia resolvi não ir almoçar com a família porque sabia que ele ia estar lá.

Os anos foram passando e ele continuava a mesma coisa. Eu já tinha ido morar em São Paulo, já estava trabalhando e toda vez que voltava, ele estava na mesma. A minha vida estava mudando rápido… eu já havia casado, já tinha uma filha… e toda vez que eu o via nos encontros de família, ele continuava o mesmo. 

Comecei a sentir dó. Sentia uma pena dele porque a vida dele era a mesma desde a minha adolescência. Percebi que só eu tinha evoluído alguma coisa, mas ele continuara na mesma.

Até que recebi a notícia de que ele havia falecido. Eu fiquei completamente muda. Aquela indignação em assistir um parente que ninguém queria por perto simplesmente acabou naquele momento e aquela raiva de adolescência não fazia nenhum sentido.

Seu velório foi muito triste. Poucas pessoas. Nem toda a família estava presente. Os filhos, que não tinham relacionamento nenhum com o pai, não fizeram questão de ficar no velório e não pareciam tristes.

Eu revisitei o passado e vi que eu poderia ter agido diferente. Nos anos de adolescente eu poderia ter escolhido rir das suas piadas e ter sido grata pela vida dele, que fazia todos rirem tanto nos almoços de família. Simplesmente assim. Simples assim.

Eu teria mudado a vida dele se tivesse agido diferente? Provavelmente não. Cada um tem o poder de fazer as próprias escolhas. Naquela época eu fiz uma escolha também, e escolhi ver um parente próximo como um peso para a família, uma vergonha, um ninguém. Enquanto Jesus escolheu me ver como amada, perdoada e escolhida.

Você precisa ser grato pela vida de alguém hoje? Algum parente chato que você não quer ficar perto? Sua atitude com relação a essa pessoa talvez não mude quem ela é.

A sua atitude pode mudar quem você é.

Tenha um ótimo dia!

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