Meu filho me magoou

Você já se sentiu magoado por algo que seu filho disse? Não aquelas críticas bobas como: “que comida estranha”, “seu suco de melancia é fedido” ou “mãe, essa piada foi sem graça”? (Risos) Mas algo que ele tenha dito que te feriu profundamente?

Quando nossos filhos nascem nós ficamos esperando a hora em que eles comecem a interagir com a gente. Ficamos torcendo para se sentarem sozinhos, engatinharem e finalmente andarem. Ficamos maravilhados em ver eles dizendo mamãe e papai e nunca, jamais esperamos que um dia eles poderiam dizer alguma coisa que nos magoaria.

Semanas atrás meu filho me disse algo aparentemente bobo mas que realmente me magoou. Eu fiquei triste em ouvir aquilo do meu próprio filho. Ele tem 8 anos e sei que não teve a intenção de magoar. Mas eu demonstrei que fiquei chateada na hora e ele percebeu.

Ter filhos é sempre um desafio. Com uma filha de 18 e um filho de 8 os desafios são variados a todo momento. Saber lidar com um e com o outro na medida certa, todos os dias, é muito difícil.

Com a filha de 18 os desafios são mais complexos, mas com o filho de 8, são desafios mais diferentes como a hora do banho, tarefa, desligar a tv, se sentar pra comer, essas coisas. São desafios pequenos comparados aos que precisarei enfrentar quando ele chegar aos 18 também.

Porém, quando aquelas palavras saíram da boca dele, aparentemente em tom de brincadeira, elas realmente mexeram comigo. Eu fiquei muda. Coloquei o pijama nele e o coloquei na cama para fazermos a leitura. Na hora eu só estava de corpo presente mas emocionalmente eu estava distante. Quando chegou a hora de orarmos juntos, apesar de distante, eu orei. E durante a oração, eu fui tocada. Percebi que precisava fazer exatamente o oposto do que eu estava sentindo.

Eu decidi me aproximar dele independente do que ele tinha me dito e não deixar que aquelas palavras ditassem meu comportamento com relação ao meu próprio filho. Eu decidi fazer as pazes com ele e perdoar o que ele tinha dito. Fui pacificadora. Mesmo que eu tivesse magoada e triste, eu sabia que se não me aproximasse eu criaria uma barreira por algo que foi quebrado só em mim mas que não precisava quebrar o laço entre mim e meu filho.

Jesus disse que os pacificadores serão chamados filhos de Deus. (MATEUS 5:9)

Tiago, o irmão de Jesus, disse que os pacificadores colherão justiça. (TIAGO 3:18)

Eu acho que os pacificadores tem mais chance de ter um relacionamento saudável com seus filhos no futuro.

Fazer as pazes é difícil. Querer se aproximar de alguém que nos magoou é um desafio. É contra a nossa natureza e às vezes é injusto. Mas um pai que faz as pazes com seus filhos agora enquanto são pequenos, semeia um relacionamento de paz para o futuro. E no final, como pais, esse é o nosso objetivo.

Nossos filhos estão crescendo em um mundo que conhecemos muito bem. Um mundo cheio de conflitos e pessoas excluem outras por errarem na medida das suas palavras. Então, nós precisamos mostrar a eles que existe uma alternativa. Talvez não na cultura do mundo mas em nossas casas. Vamos ensiná-los que a paz existe e vale a pena lutar por ela quando aprendemos a ser compassivos uns com os outros apesar de seus erros.

“Não importa o que meu filho diga ou faça. Não importa se ele não diga e nem faça. Eu quero que ele não tenha dúvidas sobre o que receberá de mim. Uma mãe que está disposta a fazer grandes esforços, não para manter a paz, mas para criar a paz. Para criar espaço em nossa casa para a conversa que trará reconciliação e perdão. Para criar o hábito de que é digno ir até o outro e dar o primeiro passo quando a intenção é fazer as pazes.” (SARAH ANDERSON, escritora e mãe de 2 filhos)

Se meus filhos saírem de casa com a certeza de nada além do que saber que eu sempre lutarei para manter a paz com eles, já ganhei. Pois só assim mostraremos aos nossos filhos que nenhum conflito importa mais do que nosso relacionamento e que podemos demonstrar a mesma ternura e tenacidade que nosso Pai celestial demonstra conosco. Afinal, Ele é o Deus da paz.

Como pais, vamos trabalhar em assemelhar-se ao nosso Pai celestial nisso. E viver na expectativa do que pode acontecer quando abrimos mão de nossa justiça pessoal para fazer a paz.

Deus te abençoe.

 

 

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