Perdi meu celular – Parte 3

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Estacionei o carro na garagem e quando eu vi o Paulo abrindo a porta da casa desabei a chorar. “Eu não queria ter perdido minha bolsa.” Ele me abraçou e disse: – “Amor. É só uma coisa.”

“Não é pela bolsa, nem pelo celular. É pela burrice que eu tô chorando.” – eu não sabia se chorava de tristeza ou de raiva.

Já que ele tinha compromisso, orou comigo, pediu para o Davizinho cuidar de mim e saiu pedindo para eu não me preocupar. Claro que eu não consegui.

Fui até o computador pesquisar se seria possível encontrar um celular rastreando o SMS dele por satélite. Enquanto isso, liguei pro 0800 do cartão para cancelar. Ai, que função. Aperta 3, aperta 7… digita isso e aquilo… aquela tristezinha misturada com indignação “Porque eu tinha que esquecer a bolsinha dentro do carrinho? Ô cabeça!”

Luiza chegou da rua. Entrou e me abraçou. “Mãe, vai dar tudo certo. Tô com um sentimento bom.” – disse ela tentando me animar.

De repente, o celular dela tocou: “Mãe, o seu celular está me ligando.” – ela atendeu depressa: “Alô!” – tututu… o celular desligou.

“Liga de novo, filha! Liga depressa antes que a bateria acabe.” – eu apavorando já.

“Alô!” – atendeu um homem.

“Oi, você está com o celular da minha mãe.”

O moço se chamava Rodrigo. E contou que quando viu a bolsinha esquecida dentro do carrinho do mercado ficou na dúvida se entregava para um dos funcionários ou se levava para casa. Disse que decidiu levar para casa porque se alguém pegasse poderia não devolver e os funcionários do mercado também poderiam não devolver. Tive que concordar com ele. Então, ele avisou que a bateria do celular estava acabando, passou o endereço e disse que dentro de uns 20 minutos estaria naquele endereço e poderíamos  buscar o celular com ele.

Desliguei o telefone e lembrei que eu estava sem carro. Liguei pra minha cunhada que mora uma quadra de casa: – “Sarah, pode me emprestar o carro? Perdi meu celular e um cara achou. Preciso ir lá buscar mas tô sem carro.” Ela disse que sim, mas assim que eu desliguei ela me ligou de novo: – “Kelen, não acho seguro você ir lá sozinha. Eu posso emprestar o carro, mas se você for eu vou ficar com dor na consciência. Pode ser perigoso” – concordei com ela e desligamos. E agora?

“Mãe, liga pro tio Douglas. Ele podia levar a gente lá.” – Luiza deu a idéia.

O Douglas é um amigo da família muito chegado. Sabe aquelas pessoas que não tem tempo ruim quando a gente precisa de ajuda? Então, ligamos pro Douglas, só que o celular dele não atendeu. Ligamos pra Andrea, esposa dele. Também não atendeu. “Mãe, você tem o telefone da casa dele?” – Luiza perguntou – “Não, mas a tia Eliana deve ter.” Ligamos pra Eliana pra pedir o telefone e contando que eu tinha perdido o celular ela também já apavorou dizendo que poderia ser uma cilada. Seria isso um sinal? Talvez pra deixar isso pra lá ao invés de ser sequestrada?

Liguei na casa do Douglas, ele atendeu: – “Oi Douglas, eu perdi meu celular e o cara que achou ligou aqui pra eu ir buscar. Mas o Paulo está em um compromisso e eu tô com medo de ir sozinha com a Luiza. Será que você levaria a gente lá?”

“Qual é o endereço. Eu vou lá. Não precisa ir junto não!”

“Ah! Não sei. Não é bom ir sozinho. Pode ser perigoso. E se o cara for um ladrão?”

“Ok. Eu ligo pro Marinho ir comigo.”

Passamos o endereço do tal do Rodrigo e oramos para Deus proteger o Douglas porque, pelo endereço, era perto da “boca quente” de Londrina.

Assim que ele saiu de casa eu liguei na casa dele para falar com a Andrea:

– “Amiga, me desculpa.”

– “Ué? Desculpa do que?”

– “E se for uma cilada? Um sequestro? E se o cara for um ladrão? E se acontecer alguma coisa com o Douglas? Vocês tem 3 filhos!!!”

– “Não esquenta não, Kelinha. Vai dar tudo certo. Ele vai passar na casa do Marinho. Eles vão juntos.” – desliguei mais aliviada.

Meia hora depois, o Douglas chega em casa sozinho com a bolsinha e o celular dentro.

“Ué! Você não disse que ia passar na casa do Marinho pra ele ir com você?” – perguntei.

“Mas eu não passei. Fiquei pensando… o Marinho tem problema no quadril. Se eu tivesse que correr do cara ele ia me atrapalhar.” – rimos muito e eu agradeci. Meu celular estava a salvo e meus cartões cancelados também.

Coisa que não se vê hoje em dia é gente honesta como o Rodrigo que, preocupado com quem fosse pegar aquela bolsinha, preferiu pegar para ele mesmo devolver.

Depois de meia hora, meu celular toca. Era minha mãe ligando:

– “Oi mãe!”

– “Oi filha! Já pegou o celular com o Rodrigo?”

– “O que? Como você sabe?”

– “É que eu liguei uma hora atrás pra falar com você mas um tal de Rodrigo atendeu. Disse que você tinha esquecido a bolsinha no mercado mas ele tinha guardado pra você. Então, perguntei pra ele se ele iria pedir alguma recompensa pelo celular e que eu estaria disposta a pagar mas ele disse que não. Era o mínimo que ele podia fazer.”

No fim das contas, a noite terminou bem. Reunimos em família e agradecemos a Deus pelo cuidado que Ele tem conosco e com as nossas coisas.

Até a poucos dias eu ainda estava recontando a história e já dando muita risada.

As vezes as histórias não acabam bem, mas não foi o caso dessa.

Obrigada Deus e até a próxima!

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