Perdi meu celular – Parte 2

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Enquanto descarregava as compras do porta-malas… – “Amor, não estou vendo minha bolsinha aqui atrás. Vê se eu não coloquei dentro de alguma sacola do mercado.”

“Não está aqui não, amor. Não está no banco de trás do carro?” – Paulo perguntou.

Meu coração disparou: – “Eu não me lembro de ter guardado a bolsa no carro. Ai, meu Deus!”

Então, entrei rapidamente no computador. Já que o celular tem um sistema de busca por satélite, eu queria saber se ele ainda estava dentro do mercado e se já estivesse em outro lugar, o sistema nos daria até o endereço.

“Consegue ver onde seu celular está, mãe?” – perguntou o Davizinho com cara de preocupado.

“Infelizmente não, filho. Como minha bateria estava acabando eu desliguei o 3G.” – ai, que réiva!

“Volta no mercado. Volta rápido! Tá perdendo tempo.” – Paulo sugeriu.

“Mas você não precisa do carro, amor?” – e ele respondeu: “Vai logo. Eu me viro.”

Entrei no carro atordoada. Apesar da pressa eu não podia andar acima de 30km dentro do condomínio. Ai, meu Deus!!! Parece que a portaria não era tão longe assim!!!

Cheguei no mercado e fui direto tentar achar o carrinho no meio do estacionamento mas ele não estava mais lá. Fui até o senhorzinho que recolhe os carrinhos e perguntei se ele tinha recolhido os carrinhos e ele disse que sim mas não havia encontrado nenhuma bolsa.

“É uma bolsa muito grande, dona?” – ele perguntou preocupado.

“Não. Ela é bem pequena. Desse tamanho assim.” – respondi, me arrependendo de ter deixado a bolsa grande em casa.

Subi até os achados e perdidos. A moça estava falando no telefone e eu tive que esperar “pacientemente” ela desligar. Perguntei se não tinham entregue uma bolsinha branca com um celular dentro e 2 cartões e ela disse que ainda não. Então, dei uma olhada em volta e me deu um estalo. Lembrei que há câmeras no estacionamento e pedi para ver as câmeras. Ela chamou o responsável.

O responsável veio, naquela “agilidade” de quem está super animado em ajudar alguém naquele horário… #sqn.

“Pois não.” – o moço tinha uns dois metros de altura e parecia um guarda-roupa.

Então, eu contei toda a novela pra ele e pedi que me deixasse ver na câmera quem havia pegado a bolsinha de dentro do carrinho.

“Eu preciso que a senhora me mostre exatamente aonde a senhora deixou o carrinho.”

“Não precisa, seu moço. Da câmera eu consigo localizar.” – me achando a detetive.

“Eu preciso que a senhora vá comigo até o lugar e me mostre aonde deixou o carrinho.” – parece que eu já tinha ouvido essa frase.

Descemos a escada rolante. Fomos até o estacionamento. Mostrei a ele exatamente o lugar aonde eu havia deixado meu carrinho com a bolsa. Ele olhou pra cima. Olhou para os lados.

“Foi bem aqui, então?” – ele perguntou.

Eu já estava querendo ligar pro Siate. Parecia que ele não estava entendendo que eu estava com pressa.

“A senhora pode preencher essa ficha aqui.” – me entregou a prancheta e disse: “Acho que vai ser um pouco difícil ver alguma coisa pelas câmeras. A câmera mais próxima não pega esse ângulo e se pegar eu não sei se ela está virada nesta direção.” – continuei preenchendo a ficha.

“Moço, essa ficha vai pra onde depois que eu preenchê-la?”

“Vai pra unidade de Curitiba e depois de quinze dias damos o retorno.”

Eu ouvi quinze dias, Lombardi? Você deve estar brincando com a minha cara, pensei. Depois de quinze dias meu celular já vai estar com outro chip lá no Paraguay, também pensei.

Eu confesso que me bateu um negócio… uma coisa ruim… uma sensação de sei lá o que. Me deu um tilt. Por que será que, alguém vendo uma bolsa esquecida no carrinho não entregaria para o achados e perdidos do mercado? E se, alguém que trabalha no mercado, pegou a bolsinha e não tem a intenção de devolver? Pensei tudo isso em questão de segundos enquanto preenchia a ficha calada. Entreguei a ficha e fui pra casa.

No caminho pra casa fiquei remoendo as emoções. Por que eu esqueci a bolsa? Eita cabeça de bagre. Por que eu tenho de ser tão esquecida? Assim… “meio” desligada.

Estacionei o carro na garagem e quando eu vi o Paulo abrindo a porta da casa desabei a chorar. “Eu não queria ter perdido minha bolsa. Desculpa.” Ele me abraçou e disse: – “Amor. Isso é só um celular.”

“Não é pelo celular. É pela burrice que eu tô chorando.” – eu não sabia se chorava de tristeza ou de raiva.

Continua…

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