Por que Agradecer?

por Kelen Franco

Meus pais já eram cristãos quando eu nasci. Sempre tive o exemplo em casa de cristãos fiéis a Deus. Eles foram exemplo de fé para mim, desde sempre.

Meu pai é um homem apaixonado por Jesus e pelas coisas de Deus. As vezes, confesso, ele é um pouco obcecado. Está sempre lendo e estudando a Bíblia e, com muita paciência e persistência, tentando ensinar um pouco do que tem aprendido aos que o rodeiam. Sempre teve um coração enorme para Deus!

Minha mãe é uma mulher muito sábia e temente ao Senhor. Me lembro que quando ela me levava para a escola, a primeira coisa que fazíamos quando entrávamos no carro era falar com Deus. Orávamos pelo dia. Pelo trânsito. Pela família e até pelos desconhecidos, para que tivessem a mesma oportunidade que nós, conhecer a Cristo.

Minha infância não foi cheia de muitas emoções. Eu era uma menina muito quieta e tímida. Não ria alto e nem falava muito. Sempre morei em apartamentos e prendi a andar de bicicleta na garagem. Mas como tinha muito medo de riscar os carros com o guidão da bicicleta, acabava não praticando. Eu sempre gostei do silêncio e de ficar sozinha. Brincava muito de boneca e era muito sonhadora. Usava óculos fundo de garrafa e quando estava no meio de muita gente, tentava de tudo para não chamar a atenção.

Com meus 7 anos, num acampamento da igreja, senti uma emoção muito grande enquanto falavam de Jesus. Comecei a chorar sem parar e entreguei meu coração para Cristo. Me lembro exatamente do lugar e da emoção que senti! Eu estava sentada num dos bancos com minhas amiguinhas e, de repente, eu estava lá na frente com meus bracinhos levantados. Foi muito lindo e emocionante! Eu cria de todo o meu coração que Jesus tinha morrido por mim. Eu entendi tudo naquele dia.

Minha adolescência não foi muito radical. Não abusei dos limites e sempre tentei não envergonhar meus pais com minhas atitudes, porque sempre tive pais muito legais. Mas, como todo adolescente, as vezes a gente pisa na bola. Me arrependo de ter pixado meu quarto e a garagem do prédio onde morava – depois tive que lixar tudo e passar tinta branca em cima – e, me arrependo de ter cortado o cabelo escondida, cortei com a tesoura da cozinha só de um lado e depois demorou muito para crescer de novo.

Minhas tardes, enquanto meus pais trabalhavam e meu irmãozinho estava na escola, eu passava tempo tocando piano em casa ou na igreja. Minha avó era zeladora da igreja, então o piano era todo meu! Eu tocava as músicas que sabia e tocava outras que nunca tinha ouvido antes, que mais tarde, foram minhas primeiras composições. Tocava em várias tonalidades diferentes, porque o pastor da minha igreja entrava cantando “do nada” e a gente tinha que saber tocar as músicas em qualquer tom.

Por causa da música, conheci um rapaz no estúdio do meu pai. Eu já tinha 18 anos. Combinamos de ir ao cinema com a turma da igreja. Ele não frequentava nenhuma igreja. Eu sim. Depois do cinema, conversamos muito. Descobrimos que tínhamos muito em comum, menos Jesus, o que me preocupou um pouco. Ele estava afastado de Deus. Eu? Vivia na igreja. Literalmente porque dormia muitas vezes na vó Arlê, zeladora da igreja. Aos poucos, ele começou a voltar para Deus. Namoramos por quatro (longos) anos. Casamos. Viva Março de 1999!

Com um mês de casada, engravidei. Puxa! Mal começou o casamento e agora, filhos? O que fazer? Será que vou saber ser mãe? Nove meses depois, em Janeiro de 2000, dois meses antes de completarmos um ano de casados, Luiza nasceu. Saudável, linda, inteligente e nunca precisou usar óculos (pedido que fiz persistentemente a Deus). Junto com ela, vieram muitas bênçãos do Senhor. Ele nunca deixou faltar nada e ainda acrescentou muita coisa que nunca sonhávamos ter.

Com dez anos de casados engravidei novamente. Chegou o David em 2010! Menino que trouxe a palavra intensidade para nossa família e que nos traz muita alegria.

Hoje, depois de completar 15 anos de casados recentemente e 19 anos juntos, não tem como olhar para trás e esquecer de agradecer. Vendo como Deus escreveu minha história e ainda escreve todas as páginas dela, não tem como não confiar que Ele sabe o que está fazendo. Tive tristezas? Sim. Passei por dores? Sim. Andei no deserto? Sim, ainda ando por ele. Mas, acima de tudo, Ebenezer, Deus seja louvado! Até aqui o Senhor tem nos ajudado.

Por que agradecer? Tá brincando?

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