O Amolador e a Faca

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Quando Deus criou Adão, imagino que Ele deva ter ficado esperando aqueles infinitos segundos que antecederam o abrir dos olhos de Adão. Imagine a emoção que Deus sentiu ao ver sua criatura abrindo os olhos para a vida pela primeira vez! Por certo, Ele ansiava se relacionar com ela, pois fora feita à Sua própria imagem. A Bíblia não conta os detalhes mas imagino que quando Adão abriu os olhos, Deus suspirou e pensou: “Uau! Ele realmente se parece comigo!” E, a primeira palavra de Adão deve ter sido: “Olá”.

Com passar dos dias, no Jardim do Éden, Deus se relacionou com Adão, como tão esperado, de forma consistente e pontual, porque o relacionamento era o plano original para a criatura. O relacionamento seria o elo entre a criatura e o Criador. E foi assim o começo da humanidade. O relacionamento já estava no DNA da humanidade. O relacionamento entre Deus e o homem, e o relacionamento entre seres humanos.

Por termos esse DNA relacional, todos sentimos o desejo de viver em comunidade. Acho que Deus colocou esse sentimento dentro de nós para que experimentássemos amor, cuidado e carinho vindo de pessoas físicas, transmitindo assim, um pouco do que Deus, uma pessoa invisível, pode nos oferecer infinitamente mais. Mas, se o relacionamento já estava em nosso DNA desde que fomos criados, então porque, as vezes, o relacionamento pode se tornar tão difícil, se deveria ser uma coisa totalmente natural?

Escrevendo para uma amiga hoje, me lembrei de uma ilustração: Quando vamos amolar uma faca, precisamos de um amolador. Sem ser amolada, a faca fica sem corte e, provavelmente não será usada de forma eficaz. Quando terminamos de amolar a faca, ela fica afiada e pronta para ser usada. Mas, e o amolador? Como ele fica? Bem, é claro que ele deve ter sofrido enquanto amolava a faca fazendo seus “uis”, tanto quanto a faca deve ter feito seus “ais”… Porém, a faca precisava do atrito com o amolador para sair daquela experiência, literalmente desgastaste, totalmente afiada. E quem saiu ganhando? O amolador ou a faca? Bem, do ponto de vista da faca, o amolador saiu ganhando, porque ser afiada dói demais. Do ponto de vista do amolador, a faca saiu ganhando porque é difícil amolar uma faca cega. Acho que os dois saíram ganhando! Sem o amolador, a faca não poderia ter sido amolada e, sem a faca, o amolador não teria sentido de existir.

Assim como o amolador e a faca, assim são os seres humanos. As vezes somos amoladores e as vezes somos facas porque Deus  quer que estejamos prontos para sermos usados por Ele, seja como amoladores ou facas, nas batalhas da vida. Não para batalharmos com as pessoas, mas para vencermos batalhas invisíveis, que só podemos vencer se estivermos nas mãos dEle.

As vezes, esmagados pelas circunstâncias, enxergamos somente o ponto de vista do amolador. Achamos que os atritos nos relacionamentos não valem a pena porque amolar uma faca cega é muito difícil, dá muito trabalho e dói demais. Ao mesmo tempo em que não queremos ser “amolados”, porque ser afiado às vezes é ser “amolado”, importunado também.

Se somos amolados ou estamos sendo usados para amolar alguém, “em tudo dai graças porque essa é a vontade de Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor!”

Mas, de uma coisa não há como discordar:

Onde a faca está, o amolador está. Onde os dois estão, o Dono.

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