Nao existem pecas sobrando

O último filme que assisti me tocou profundamente. O filme que ganhou o Oscar, Hugo, mexeu demais comigo. Pena eu nao ter assistido no cinema. A fotografia do filme e linda!

A história de um órfão que vive em segredo nas paredes de uma estação de Paris. Com a ajuda de uma menina excêntrica, procura resposta para uma misteriosa ligação entre o pai que perdeu recentemente, o mal-humorado dono da loja de brinquedos que vive por baixo dele e uma fechadura em forma de coração, aparentemente, sem chave.

O filme inteiro usa metáforas e símbolos para exemplificar a vida. Mas, o que mais me chamou a atenção foi a frase em que o menino, olhando pela janela do lugar onde dormia, disse ao observar a cidade toda, fazendo uma relação da cidade com uma maquina, em que todas as pecas tinham lugar e função, assim como a vida, assim como cada um de nos. Ele diz : “nao existem pecas sobrando.”

Por muito tempo vivi um conflito pensando que eu era uma peca substituta, que em algum momento alguém iria aparecer para, finalmente, ocupar seu lugar. Enquanto o tempo passava, doei o meu melhor, dei o que nao tinha, fiz coisas que nao sabia. Mas, aguardava alguém chegar para ocupar aquele lugar, que eu pensava ou acreditava que nao era o meu. Me sentia uma peca sobrando. Sentia que deveria estar fazendo outra coisa em outro lugar. Nao me sentia capaz.

Hoje, alguns anos se passaram, vejo o quanto aprendi. A frase do menino faz todo o sentido. Nao existem pecas sobrando. Ninguém esta onde nao deveria. Nao somos substitutos. Nunca. Se fomos escolhidos por Deus ou pela circunstancia, por nao ter outra pessoa, ou por você ser a mais capaz, precisamos ser intensos, nos doarmos por completo ate que, anos mais tarde, possamos ver os frutos, reconhecer que Deus nos tomou pela mao em todo tempo nos guiando, nos fortalecendo, porque estávamos exatamente onde deveríamos estar.

Nao existem pecas sobrando.
Que peca voce e?
Qual maquina voce ajudar a funcionar?

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