DOSE DO DIA – Presa antes do Show no Kyrios

Ontem acordei um pouco ansiosa pro show no Kyrios Festival. Fazia tempo que não aceitava convites para shows desde que me envolvi no ministério pastoral da igreja Capela da Graça, em Londrina, e por isso, eu confesso, eu estava bem ansiosa.

Mas, mesmo com aquele friozinho na barriga, levantei da cama animada, tomei café da manhã e fui pra passagem de som às 10:00 AM. Enquanto o Paulo coordenava a passagem dos instrumentos, a gente conversava e ria muito juntos. E, eu tenho que confessar, os ensaios e a comunhão com os amigos é fundamental pra mim. Eu acho que não conseguiria cantar sem nenhuma afinidade com quem fosse tocar ou cantar comigo… eu preciso de amigos ao redor porque sei que é gente com quem posso contar, gente em quem eu acredito e que acredita em mim… é uma troca de gentilezas, de amor e de respeito o tempo todo. É muito bom ter os amigos por perto quando você está numa empreitada importante como a de cantar num evento para ganhar almas pra Cristo!

Bom, entre uma conversa e outra as meninas me perguntaram se eu já tinha agendado uma maquiagem “fera” pra apresentação porque ia filmar e passar na tv, etc… Mas, como eu não ligo muito pra isso eu disse que ia ver. Sem pensar, o Daniel pegou o celular e ligou pro Licoln Tramontini pedindo ajuda. O Lincoln disse que não era pra eu me preocupar que ele ia dar um jeitinho. E deu. Pediu pra uma das maquiadoras me atender no salão da Duque de Caxias às 17hs (dentro do Mercado “SM”). Puxa, que gentileza me atender num feriado!

Fui até o salão me maquiar e fazer o cabelo. A maquiadora Vanessa foi uma graça comigo e me atendeu prontamente. Depois fiz o cabelo com o sobrinho do Lincoln e ficou tudo maravilhoso! Peguei minha bolsa e fui embora.

Assim que saio do salão, aquela escuridão no hall do mercado. O mercado já tinha fechado e as luzes estavam todas apagadas. Mal dava pra enxergar. Fui até a porta de saída. Trancada. Andei na escuridão até a outra saída. Trancada. Voltei pro salão:

– Oi Vanessa, como eu faço pra ir embora?

– Ué. A porta está trancada?

– Tá.

– Você já tentou a outra saída?

– Já.

– Vix. Peraí que a gente também está indo embora.

Anda pra um lado, anda pro outro. Tudo trancado.

– Acho que o guarda fica naquela salinha ali. Vamos pedir pra ele abrir. – disse ela. – Oi, seu guarda. Você pode abrir pra gente sair?

– Infelizmente eu não posso, não tenho a chave. Agora só às 7 da manhã.

– Como assim? – eu perguntei.

– E se pegar fogo aqui dentro? Como você sai? – perguntou o outro cabeleireiro.

– Eu tenho que meter o pé na porta! – disse o guarda tentando ser engraçado.

Eram 7 da noite e eu tinha que estar no Kyrios às 8pm. Eu nem estava pronta e, naquele momento, tudo passou pela minha cabeça. Me imaginei ligando pra polícia, pro Siate, pra minha mãe… mas, como eles iriam entrar se tudo estava trancado???

De repente, vimos dois homens andando lááááááá dentro do mercado:

– Psiu! Ei! Moço! Abre aqui pra gente!!!!! – gritamos desesperados

Com uma má vontade sem igual, os dois homens começam a vir na nossa direção gritando com a gente:

– Quem ta aí? O que vocês estão fazendo aí?

– A gente estava trabalhando no salão e terminamos só agora. Será que dá pra abrir pra gente? – disse o cabeleireiro.

– Ah, agora não sei não. A gente já lacrou tudo, já trancamos tudo e não dá mais pra abrir.

– Como assim não dá pra abrir?

– Ah, eu já fiz o relatório, já registrei o horário do lacre. Agora, só amanhã.

– Hein?? – pensei eu. E, eu já comecei a orar. Certeza que era o “bicho vermelho” querendo tirar a minha paz, querendo me desencorajar. Mas, foi ba-ta-ta. Quando comecei a orar, o cara começou a gritar com a gente do nada, sem mais nem menos. Ele espumava e ameaçava a gente. Disse que não ia abrir e foi andando como se estivesse indo embora, largando a gente ali trancados. Como assim? E eu não vou mais cantar?

Ele foi lá pros fundos. Voltou. Enrolou. Isso já era umas 7:30 e eu estava ficando muito incomodada com a situação. 7:50 o cara abriu a porta do mercado. Tivemos que passar por dentro do mercado, sair pela porta dos fundos, dar a volta no mercado, entrar novamente pela rampa onde os carros entram, procurar o carro na escuridão apertando o botão do alarme. 8 horas eu entrei no carro e digitei tremendo o numero do celular do Paulo:

– Amor, fiquei trancada no mercado, tô entrando no carro agora pra ir pra casa. Chego em 15 minutos.

– Então, corre que você já está atrasada. – ele paciente.

Nos 15 minutos dirigindo do mercado até em casa, eu fiz uma oração de entrega ao Senhor. Entreguei as músicas, os músicos, backings, entreguei minha vida novamente, o show, o evento, tudo:

– “Senhor, é pra Tua glória e nenhum dos Teus planos pode ser frustrado. E se o plano do “coiso” era me trancar pra me impedir de cantar, então eu tenho que dizer que deu errado. É hoje mesmo que eu vou cantar! E glória do Senhor vai descer!! E se hoje a noite tiver alguém preso, que seja liberto, em nome de Jesus, assim como eu fui liberta desse mercado!”